1. Acabar com a fome e a miséria
A Escola Estadual João XXIII, de São Sebastião da Boa Vista, Pará, resolveu ajudar a comunidade com seu projeto de voluntariado, que envolveu alunos e professores no objetivo de ajudar as famílias de baixa renda da comunidade. O projeto está dividido em três etapas. Na primeira, os problemas e objetivos são trabalhados em sala de aula na disciplina de Filosofia, em que se discute ética, cidadania e solidariedade. Na segunda etapa do projeto, os alunos saem pela comunidade e fazem um levantamento da situação financeira dessas famílias. De posse desses dados, a escola pode ter uma noção de quanto arrecadar em cestas básicas e brinquedos. As turmas do ensino médio visitam as de outros turnos, convidando-as para uma programação cultural para a qual a entrada equivale à doação de 1 quilo de alimento não perecível e um brinquedo. Além disso, fazem a divulgação nas rádios da região, para que a sociedade participe e se solidarize com essas pessoas. A última etapa consiste na distribuição para as famílias do que foi arrecadado .
A Escola Municipal Cândido Lemes dos Santos, de Caarapó, Mato Grosso do Sul, tem uma proposta de horário e currículo diferenciados para atender aos alunos da área rural. A disciplina de Horticultura e Fruticultura ofereceu a esses alunos técnicas rurais, desde o preparo do solo até a adubação com insumos orgânicos. Eles também aprendem a produzir, num sistema agro-ecológico, alimentos que são utilizados para reforçar a refeição que recebem na escola. Tudo isso em aulas bem-estruturadas, que conjugam teoria e prática. Os responsáveis por esse projeto são os professores e alunos da escola, que, graças a sua dedicação e solidariedade, hoje podem oferecer frutas e hortaliças de excelente qualidade para outras duas escolas e cinco centros de educação infantil da Rede Municipal de Ensino.
Em Salvador, Bahia, a Escola de Educação Básica e Profissional Fundação Bradesco abriu-se para a comunidade, a fim de que alunos, funcionários e convidados prestassem trabalho voluntário na área de saúde e cidadania. Foram palestras e oficinas que atenderam a mais de 2 mil pessoas. A escola também prestou, em dois fins de semana, serviços voluntários na área de tecnologia e informática, oferecendo à comunidade seus 35 micros para oficinas de informática. Os alunos da 4ª série da escola realizaram ainda uma campanha contra a fome. A escola adotou uma creche da comunidade e construiu lá uma horta comunitária. Adotou também uma escola estadual como parceira no desenvolvimento de um projeto de robótica intitulado “A Cidade que a Gente Quer”, que busca soluções para os problemas do bairro.
A Escola Diário de Pernambuco, de Recife, Pernambuco, participou de um projeto de voluntariado. Desde outubro de 2002, a direção, os professores, alunos e voluntários da comunidade desenvolvem o projeto “Grupo de Apoio” que inicialmente consistia em doar cestas básicas, quinzenalmente, às famílias de oito alunos de baixa renda. Essas cestas básicas eram entregues às mães e filhos, após palestras sobre temas como: sexo na adolescência, drogas, família, atividades culturais, etc. O projeto se fortaleceu e foi redirecionado, após amplas discussões. As doações das cestas deixaram de ser o centro do projeto, e os encontros deixaram de ser vinculados às entregas, mesmo assim, os pais e alunos continuam comparecendo. Houve também a adesão de mais voluntários da comunidade, como psicólogos que promovem encontros com as mães. O “Grupo de Apoio” promove também passeios culturais com os jovens a pontos turísticos do Recife e de Olinda, sempre aos sábados. A interação entre as famílias e o “Grupo de Apoio” se dá num clima de muita confiança, e propiciou a todos os envolvidos a concretização dos ideais de solidariedade.
“Gincana Solidária” – este é o termo mais adequado para caracterizar a ação solidária que a Escola de Educação Básica Dr. Paulo Fontes, de Florianópolis, Santa Catarina, realiza todos os anos. Equipes de alunos coordenadas por professores mobilizam toda a comunidade em torno de campanhas que arrecadam donativos para grupos excluídos e entidades assistenciais. Nos últimos três anos foram atendidas comunidades indígenas, asilos e creches, com doações de alimentos, agasalhos e material de higiene; as comunidades e instituições também tiveram assistência psicológica do Instituto Psiquiátrico. A campanha não só atende a uma necessidade imediata e emergencial, como desperta em todos os envolvidos – pais, alunos e professores – uma sensibilidade para as grandes causas sociais que dificilmente seriam alcançadas somente por conteúdos programáticos e teóricos.