2. Educação básica de qualidade para todos
A Escola Horizonte da Cidadania, de Icapuí, Ceará, criou o projeto “Ler para Viver Melhor”. A equipe, com oito alunos voluntários, do “Grupo LPN – Sou Legal, Sou da Paz, Sou pela Natureza”, desenvolve o projeto com o objetivo de tornar proficientes na leitura alunos de 8 a 10 anos com dificuldades – a maioria oriunda de famílias com poucos recursos. Cada voluntário trabalha com quatro alunos, em horário diferente ao das aulas, três vezes por semana. O voluntário lê uma história infantil e em seguida pede que os alunos contem oralmente a mesma história. Depois os alunos lêem a história fazem um resumo, reescrevem o final e incluem a história reescrita por eles em um livro criado pelo grupo. Hoje, a maioria dos alunos participantes, além de serem leitores proficientes, estimula os companheiros a buscar o prazer da leitura.
O Colégio Dante Alighieri, da cidade de São Paulo, em um de seus projetos, doou 20 computadores para duas comunidades de baixa renda da Zona Leste do município. Mas não ficou só na doação. O colégio montou em cada comunidade um laboratório equipado com impressoras, bancadas, cadeiras e softwares necessários para que as máquinas funcionassem adequadamente. Alguns adolescentes das comunidades foram selecionados e capacitados como instrutores, tornando-se aptos a trabalhar pela inclusão digital. Essa capacitação foi feita por alunos do ensino médio da escola, supervisionados por professores voluntários do Departamento de Informática. Ao final dessa etapa do projeto, percebia-se uma grande transformação em todos os envolvidos no processo. A apropriação da tecnologia fez emergir o sentido mais amplo da informação – aquela que traz significados para o indivíduo.
A Escola Municipal Dr. Moacyr Bacelar Nunes, em Coelho Neto, Maranhão, situada numa região muito pobre da periferia da cidade, realizou, com a ajuda dos alunos e professores, uma campanha para alfabetizar os pais de alunos que não sabiam ler e escrever. Orientados pelos professores, os alunos voluntários se tornaram alfabetizadores e passaram a levar exercícios para os pais fazerem em casa. O projeto obteve ótimos resultados. Com a ajuda voluntária de alguns alunos, a escola também desenvolveu um projeto de capoeira. Todos os sábados, os alunos repassam seus conhecimentos aos outros alunos e aos moradores da comunidade – o que tem feito baixar o índice de evasão escolar, pois só pode participar do grupo de capoeira o aluno que freqüenta a escola. Esporte e estudo são aliados nessa ação solidária.
A Escola Municipal Octacílio Lino, de Altamira, Pará, conhecendo bem a realidade de sua comunidade, sabe que a maioria dos pais de alunos não tem condições financeiras de pagar aulas de reforço para os filhos. Pensando nisso, implantou o “Projeto Avançar”, que conta com o apoio voluntário de alunos de 7ª e 8ª séries, que dão aulas de reforço para os alunos de 1ª a 4ª séries que não conseguem acompanhar o processo de ensino-aprendizagem. O esforço dos alunos voluntários fora de seu período de estudo deu resultado: diminuiu o índice de reprovação e aumentou o interesse dos colegas mais novos pelo estudo. Os alunos têm a oportunidade de expor suas habilidades e suas experiências, criando, recriando e realizando atividades. Essa experiência contribui com a formação crítica e profissional dos alunos voluntários envolvidos no projeto.
Em 2002, a Escola Estadual Elira Pinheiro, de Manaus, Amazonas, detectou que o maior índice de reprovação era de alunos cujos pais não sabiam ler. Preocupada com a situação dessas crianças, a diretoria da escola convidou os pais desses alunos a estudar, formando assim uma classe de alfabetização de jovens e adultos, com 203 alunos. A escola soube que o Banco do Brasil havia realizado um treinamento para professores voluntários. A gestora entrou em contato com uma dessas professoras, que aceitou o convite e inscreveu a escola no projeto “BB Educar”. Hoje, a maioria desses pais já sabe ler e escrever. Sentem-se felizes em poder estudar e ajudar os filhos nos deveres escolares, aprendem com eles e melhoram, assim, o processo educativo. A partir de 2003, a participação dos pais no ensino e no processo de aprendizagem dos filhos ajudou a diminuir o índice de reprovação.
“Informática para todos” – com esse lema, a Escola Municipal Analice Maciel de Jesus, de Tartarugalzinho, Amapá, desenvolveu um projeto para proporcionar aos alunos contato com o computador e a Internet. A escola, que conta com uma rede de seis computadores conectados à internet, ministra aulas e abre seu espaço para todos os alunos da rede de escolas municipais da cidade, atingindo assim mais de 800 alunos. Também foram ministrados cursos de capacitação para os pais dos alunos e pessoas que nunca tinham tido contato com o computador. Uma experiência que faz a diferença, integrando a comunidade à era da informação.
Em Palmas, Tocantins, a Escola Estadual Liberdade conta com várias experiências significativas que têm dado certo. O projeto “Evasão Escolar Nota Zero” é uma das atividades que a escola está desenvolvendo com o auxílio de voluntários. O objetivo do projeto é erradicar a evasão escolar. Os voluntários da unidade escolar, junto com a orientadora educacional, vão até a residência dos alunos faltosos, procuram saber o motivo pelo qual eles abandonaram a escola e buscam conscientizá-los da importância do seu retorno às aulas. O projeto vem dando certo, pois a maioria dos alunos evadidos retornou à escola, freqüentam regularmente as aulas e estão participando de projetos de melhora da auto-estima.
Na cidade de Jaboatão do Guararapes, Pernambuco, desde 1989 o Grupo de Apoio à Criança e Adolescente Rua Linha E faz um ótimo trabalho. Ao observar um grande número de crianças nas ruas, realizando pequenos furtos, os voluntários decidiram intervir. Começaram a trabalhar com elas e descobriram que muitas dessas crianças evadiram-se da escola ou foram expulsas por mau comportamento. “Adaptamos nosso ensino a elas, fazendo a ponte escola–família. Daí em diante, conquistamos a confiança de todos.” Para surpresa da escola, os pais das crianças solicitaram aulas noturnas para que eles próprios aprendam e possam assim ajudar no dever de casa dos filhos.
No município de Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, a Escola Municipal José Roberto Monteiro desenvolveu o projeto ”O Cabo Faz a Escola.” O objetivo é trazer todas as crianças da comunidade de 7 a 14 anos para a escola. Um grupo de adolescentes voluntários vai de casa em casa com uma carta para os pais de crianças dessa faixa etária que não freqüentam escolas. A carta pede que os pais compareçam ao colégio com os documentos das crianças, para que elas sejam matriculadas. A maioria dos pais abordados atendeu à solicitação, matriculou os filhos e louvou a ação desse grupo voluntário. Os próprios alunos ficaram muito contentes em ver que sua ação realmente deu resultados e que esses novos alunos matriculados são agora colegas.