8. Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento    

No Colégio São José , de São Leopoldo, Rio Grande do Sul existe um grande número de alunos voluntários. São 187 alunos, organizados em 27 grupos de trabalho, que atuam em 11 instituições da cidade, entre as quais hospitais, lar de idosos, creches, até abrigos para animais. O destaque fica para o projeto “Conspiração da Esperança”, desenvolvido numa escola infantil mantida pela Cruz Vermelha, que atende a 150 crianças. Nesse projeto, os jovens voluntários realizam atividades de reforço escolar, especialmente nas matérias de língua portuguesa e matemática, e oficinas de língua inglesa, espanhola e francesa. Também é desenvolvido um projeto de inclusão digital que atende a 50 crianças de 8 a 10 anos, com aulas de informática duas vezes por semana. O projeto é realizado no próprio colégio que disponibiliza seus laboratórios de informática para as crianças, com a ajuda de alunos voluntários que doam de 3 a 4 horas semanais de seu tempo.

Trabalhar a questão do trânsito foi o projeto escolhido pelo Colégio Bandeirante, de Dourados, Mato Grosso do Sul. Em função da formação geográfica da cidade, existe um grande número de ciclistas disputando as ruas com os carros. Porém, a falta de conscientização dos motoristas e ciclistas tem elevado diariamente o número de acidentes com vítimas no trânsito. O trabalho do colégio começou com a disciplina de Matemática, fazendo o levantamento estatístico de acidentes e vítimas. Em seguida passou para a fase de composição de textos e desenhos, envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa e Educação Artística, História e Geografia. A comunidade escolar, alunos e profissionais da Polícia Militar e da Guarda Municipal realizaram campanhas no trânsito, em que os alunos voluntários entregavam panfletos e falavam da importância da preservação da vida e da direção segura. E, para finalizar o projeto, os alunos fizeram uma apresentação na Semana do Trânsito.

A Escola Municipal São Lourenço, de Teixeira de Freitas, Bahia, se localiza numa das áreas pobres do município, e registra, com muita satisfação, a preocupação dessa comunidade com a solidariedade. A escola desenvolve muitos projetos e campanhas, como Paz – A Gente É que Faz, e o Natal sem Fome, em que conseguiu arrecadar uma tonelada de alimentos; destaca o projeto Eu, o Mundo e a Terceira Idade que, além de conscientizar os alunos e a comunidade, busca valorizar, respeitar e dar assistência às pessoas de terceira idade. “Conseguimos mobilizar a Câmara Municipal de Vereadores e reivindicar do Poder Executivo funcionários para atender ao único Lar dos Idosos que funciona de forma solidária em nossa cidade”. Esse projeto arrecadou uma grande quantidade de alimentos e notas fiscais, que foram doadas ao Lar dos Idosos São Francisco de Assis. Ao longo do projeto, os alunos da escola e a comunidade foram agraciados com palestras, pesquisas, debates, peças teatrais, concursos, etc. O encerramento se deu em plena avenida, com uma grande exposição das conquistas e das parcerias do trabalho – UNEB, Lar dos Idosos São Francisco de Assis, Prefeitura Municipal, Secretaria de Saúde, Secretaria do Bem-Estar Social, Igreja São Francisco de Assis e o jornal Folha Rural . “Acreditamos que o exercício da cidadania tem contribuído expressivamente para o crescimento dos nossos alunos.

Justamente na cidade de Sorriso, Mato Grosso, a Escola Municipal Jardim Amazônia , preocupada com a saúde bucal de seus alunos e da comunidade, desenvolveu, em parceria com um dentista que atende no Centro Municipal de Saúde do bairro, o projeto “Os Bons de Boca”. Primeiro, um grupo de alunos recebeu orientações do dentista, através de palestras e treinamentos, que abordaram desde a alimentação adequada até escovação e uso correto do fio dental. Os alunos voluntários da equipe Os Bons de Boca são identificados pelo uso de jaleco branco. Eles realizam o trabalho fora do horário das aulas: comparecem após o recreio e fazem a escovação dos dentes dos alunos, ensinando também o uso do fio dental. O flúor é aplicado pelo dentista. Eles trabalham com toda a comunidade, fazendo visitas periódicas e orientando a todos a respeito da importância da saúde bucal. “O resultado está sendo ótimo, pois alguns pais buscam a ajuda do grupo para esclarecer dúvidas, e o índice de cáries diminuiu bem.” O trabalho dos Bons de Boca já é realizado há três anos, com ótimos resultados.

Em Barra Bonita, São Paulo, a Escola Municipal Professora Mariana Gonçalves Dias construiu um muro. Mas não é um muro qualquer. É o “Projeto Mural”, desenvolvido em parceria com a Associação de Pais e Mestres, a Prefeitura Municipal e toda a equipe escolar. Os participantes do projeto desenvolveram atividades de literatura infantil, histórias da cidade, histórias em quadrinhos, prevenção e proteção ambiental e brincadeiras infantis. Esses trabalhos foram elaborados em sala de aula, e, depois de um concurso, os selecionados foram para o mural – composto de um total de 51 painéis que foram pintados com a participação de todos os alunos, amigos da escola e toda a comunidade que a circunda. “Além de embelezar o bairro, tal projeto estimulou o desenvolvimento artístico dos nossos alunos, despertando o espírito de cooperação, amor e conservação do patrimônio público.”

O Projeto Amar É Preciso – Brasil te Quero em Paz, da Escola de Educação Infantil Risco e Rabisco, de Fortaleza, Ceará, surgiu em 1999. Fundamentado no lema da escola: Educando com Ética e Responsabilidade Social, o projeto se organiza a cada ano com um foco específico, por exemplo: índio, idoso, escola pública, etc. Sua premissa básica é atuar na formação de alunos e cidadãos solidários e responsáveis pela comunidade. Em 2003, pais, professores e demais profissionais foram conhecer as crianças com câncer no Hospital Albert Sabin; conheceram também a escola pública Yolanda Queiroz e os idosos do Lar Torres de Melo, e discutiram estratégias para ajudá-los. Cada instituição passou a fazer um intercâmbio de idéias, valores, sentimentos, experiências e recursos materiais com turmas específicas da escola. Alunos e professores trabalham o foco do projeto na sala de aula, interagem com as pessoas envolvidas, prestam assistência e estabelecem vínculos afetivos; os pais colaboram nas pesquisas, participam dos encontros entre escola e instituições, arrecadam donativos e comprometem-se a preservar o contato; os demais profissionais dão suporte para a execução do projeto. Atualmente os alunos, desde a pré-escola, relacionam com naturalidade o projeto à sua vida escolar, praticam a solidariedade além do cotidiano e extrapolam esse comportamento para a vida social e familiar. Todos sabem que podem fazer do Brasil um país mais justo e solidário.

A Escola Agrotécnica Federal de São João Evangelista , Minas Gerais, tem um projeto denominado Saindo da Escola, no qual os alunos das terceiras séries, todas as sextas-feiras, são liberados para fazer estágio na comunidade. Eles auxiliam o desenvolvimento de projetos municipais, dão assistência a várias instituições filantrópicas e assistenciais. Assim, os alunos têm a oportunidade de entrar em contato com o mundo do trabalho e, dentro do possível, auxiliar no desenvolvimento da região. “Nossa escola está localizada em uma região muito carente. Por sermos da rede federal e possuirmos uma produção interna, fazemos doações semanais de produtos hortifrutigranjeiros para entidades sem fins lucrativos, como a APAE, creches, hospital e asilo da região, no intuito de melhorar o cardápio dessas instituições.”

A preocupação das escolas maristas, desde muito, vai além da transmissão dos conhecimentos acumulados ao longo da história. A missão de interagir de forma solidária no meio em que vivem tem levado alunos, ex-alunos, pais, comunidade, professores e funcionários maristas aos mais variados projetos de ação solidária, como o de intervenção pastoral e social proposto para e pelas oitavas séries de ensino médio do Colégio Marista de Goiânia, Goiás. Os alunos e educadores realizaram diversas ações num assentamento do MST e na escola durante o ano. Visitaram o assentamento e também receberam na escola a visita dos membros do movimento. Nessas ocasiões trocaram experiências e conhecimentos sobre terra, plantio, sementes, conversaram sobre a realidade do MST, os problemas de saúde, etc. Os alunos mantiveram contato posteriormente e realizaram campanhas de agasalhos, de sementes e mudas de árvores frutíferas para o assentamento.

Sob a coordenação voluntária de um ex-aluno, direção, professores, funcionários, pais e alunos da Escola Estadual José Correia Lima, em Várzea Alegre, Ceará, desenvolve um projeto de teatro em que participam direção, professores, funcionários, pais, alunos e pessoas da comunidade. O projeto é desenvolvido na escola por meio de oficinas realizadas nos fins de semana, com o objetivo de perceber o corpo como instrumento de comunicação e expressão, harmonizando e acelerando o trabalho no nível intelectual, emocional e físico. Esse trabalho voluntário teve grande aceitação, e também traz resultados como a descoberta de talentos e aprimoramento da linguagem e da expressão. Além disso, promove a vivência grupal, divulga a escola e aumenta o número de parcerias. “Um bom colegiado investe nas relações que desenvolvam o educando para a vida.”

Em 2002, na cidade do Rio de Janeiro, a Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá desenvolveu um projeto de cidadania com os alunos, funcionários e a comunidade local. O objetivo do projeto – que teve o apoio do Hemorio e da Secretaria Estadual da Ação e Cidadania – era confeccionar a Carteira de Identidade e a Carteira Profissional de Trabalho para a comunidade local, assim como realizar uma grande campanha de doação de sangue. O projeto obteve muito sucesso, com grande adesão de doadores e muitos documentos novos tirados. E continua a ser realizado.

A Escola Estadual Ferreira Itajubá, de Natal, Rio Grande do Norte, não abre sua portas apenas para os alunos, mas para diversas instituições. São realizados eventos socioculturais nos fins de semana e feriados. A escola também interage com o posto de saúde do bairro, promovendo palestras, campanha de vacinação, etc. Outras parcerias garantem cursos básicos de informática para alunos, professores, funcionários e para o público em geral, há mais de três anos. Foram capacitadas mais de 3 mil pessoas. A escola participa do projeto Amigos da Escola há quatro anos, e conta com dois professores voluntários de caratê e futebol de salão, esportes que lhe garantem destaque nos eventos esportivos. Durante um ano, ofereceu aos professores e funcionários um curso de espanhol, ministrado por um voluntário.

Os alunos da Escola Municipal Roberto Coelho, do Rio de Janeiro, realizaram diferentes atividades junto à comunidade, identificando os problemas ao redor da escola, como lixo jogado nas ruas, poluição das águas e outros. Após esta etapa, foram entrevistados os moradores antigos, foram feitas campanhas e panfletagens, conscientizando os moradores da necessidade de preservar o meio ambiente. Este trabalho foi estabelecido em parceria com outras instituições, com a Associação de Moradores, o Posto de Saúde e o Cedae. O projeto visa mobilizar os alunos e a comunidade em relação à importância da ação solidária para o cuidado com o meio ambiente e a preservação da vida. “A tarefa é de todos e começa pelas atitudes mais simples do dia-a-dia. Começa pela nossa casa, pela escola e pelo bairro.”